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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Os donos da rua


Diante da insuficiência do poder público em sanar as mazelas da sociedade e da insegurança demasiada nas grandes e médias cidades, a população ficou refém dos problemas sociais urbanos. O simples ato de sair de casa, seja para se divertir, trabalhar ou estudar, por exemplo, tornou-se uma tarefa crítica. 



Estacionar o carro ficou complicado na rotina da população, tornou-se um mercado  lucrativo e acirrado entre os guardadores clandestinos de veículos, os famosos flanelinhas. A classe passou a dominar e comandar a rua - um local público - como se fossem os verdadeiros “donos do pedaço”. O motorista, intimidado pela presença desses “profissionais” e com medo se ter seu carro danificado ou até ser vítima de agressões físicas, se vê obrigado a pagar por um falso serviço. Na ficha criminal de muitos guardadores conta práticas de delitos como furto, roubo, agressão e até homicídio.  

No Brasil, a Lei 6.242, do ano de 1975, aprovada pelo então presidente do país, Ernesto Geisel, regulamenta a atividade de guardador de carro. No entanto, a função não é legalizada e pode ser considerada crime. Ainda de acordo com a lei brasileira, e apesar de algumas contestações, o ato de pedir dinheiro ao motorista pode ser qualificado como extorsão - a intimidação com o intuito de alguma vantagem econômica indevida -, contravenção - o exercício ilegal da profissão -, formação de quadrilha e loteamento de espaço público. O acusado pode pagar pena de três meses a um ano, podendo ser estendida para até quatro anos.



O trabalho da polícia para conter e coibir tal prática ainda é escasso e ineficaz. A falta de leis que criminalizem a atuação dos flanelinhas permite a perpetuação do ato. “Podem prender os guardadores, mas eles vão voltar para trabalhar nas ruas”, disse Marinaldo Oliveira, presidente do Sindicato dos Guardadores e Lavadores Autônomos de Veículos de São Paulo (Sindiglaasp), em operação do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que deteve, no mês de maio, 53 flanelinhas nas imediações do Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Não sou motorista, nem vítima dos flanelinhas, mas isso não me faz um cidadão menos indignado diante da atuação dos mesmos. É intolerável perceber que a população ainda é vítima desses bandidos camuflados de “guardadores de carro”. A segurança do povo e dos seus bens materiais em ambiente públicos é de responsabilidade do poder governamental, que mesmo ciente do problema, não toma uma decisão agressiva, definitiva e eficaz. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Propagandas de bebidas alcoólicas: legalmente ilegais


Desde 2000, devido à aprovação pela Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 3.156, está proibida a propaganda de cigarro em rádio, televisão, jornais e revistas, e o patrocínio de marcas do produto em eventos culturais e esportivos. Ótima notícia! No entanto, propagandas de bebidas alcoólicas, principalmente a cerveja, continuam a ser exibidas pelos meios de comunicação de massa.


A indústria de bebidas no Brasil fatura mais de R$ 20 bilhões por ano e, segundo análise de 2008, por volta de 1 bilhão de reais/ano são gastos pelo mercado publicitário do ramo. Com uma linguagem atraente e atual, utilizando elementos como a sensualidade das mulheres brasileiras e o futebol, os anúncios sempre estão associados à descontração e divertimento, e passam a mensagem de que as bebidas alcoólicas tornam a vida melhor, ou mais agradável. 

O objetivo primordial é ganhar a atenção de jovens em fase de formação de caráter e personalidade. “A publicidade de bebida bate pesado justamente nessa população. E a gente sabe que o adolescente é vulnerável a essa influência. Existe uma crença generalizada de que o álcool é uma substância inócua porque é legal”, alerta o psiquiatra Dartiu Xavier. 

Quase metade da população do país não consome álcool, número que soa positivamente se compararmos com países como Alemanha e Inglaterra, onde o consumo passa dos 90%. No outro lado da moeda, isso significa uma grande parcela da população ainda suscetível à conquista das propagandas de bebidas alcoólicas, que, evidentemente, não evidenciam os danos consequentes do seu uso.



De acordo com relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), de 2011, o álcool é responsável por 4% de todas as mortes do mundo. A maior parte delas em pessoas entre 25 e 39 anos. Ele está diretamente atrelado a doenças, como câncer e cirrose, dependência, violência doméstica e acidentes de trânsito, por exemplo. Seu consumo coloca não só em risco a vida de quem as consome como também de outras pessoas. 

Depois de mais de 10 anos após a proibição das propagandas de cigarro nos veículos de massa, seu uso foi reduzido praticamente pela metade. Percebemos, então, que a proibição dos anúncios, principalmente na TV, de produtos derivados do álcool, é a solução mais sensata para alguns problemas de saúde pública do Brasil e de danos à vida social de seus usuários, muitos deles adolescentes. Só resta esperar que tal atitude seja tomada sem demora e independentemente do lobby dos magnatas da indústria e da propaganda de bebidas alcoolicas.

Vale ressaltar que atreladas à proibição, campanhas de conscientização e educação familiar também são de extrema importância.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quanto vale a sua fé?


Aos religiosos de plantão, peço desculpas pela blasfêmia proferida na imagem acima, mas é essa a impressão que tenho, seja nas próprias igrejas, ou mesmo na televisão, vemos e ouvimos constantemente campanhas e empreitadas em prol do dinheiro. O culto deixou de ser um ato de fé e tornou-se marca do mercado financeiro. 

Tenho conhecimento da importância do dízimo e da oferta para a manutenção e para as atividades das igrejas, porém a fé virou mercadoria, objeto de lucro e proveito. As palavras sagradas tornaram-se fonte fácil e rápida de renda. Em cada esquina tem uma igreja a sua espera. 

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.” (Malaquias 3:10)

As palavras acima são levadas “a ferro e ferro” até demais. Para se ter uma ideia, um estudo de 2009 revelou que igrejas católicas e evangélicas somam lucro mensal de quase 2 bilhões de reais. Três anos depois esse número evidentemente aumentou substancialmente. 

Valdemiro Santiago: apóstolo e líder da igreja Mundial; Edir Macedo: bispo, líder da igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record; Silas Malafaia: líder religioso; e R.R.Soares: líder da Igreja Internacional da Graça. Todos eles passam algum tempo divulgando suas pregações e pedindo sua ajuda na TV.
Outro bom exemplo é o missionário R.R. Soares e sua Igreja Internacional da Graça, figurinhas carimbadas do horário nobre da TV. De acordo com o site F5, estima-se que R$ 5 milhões sejam desembolsados todo mês por meia horinha na tela da Band. Nove entre dez emissoras de TV exibem algum tipo de conteúdo religioso durante sua programação habitual. É só ligar o aparelho que lá está alguém evangelizando e pedindo sua doação.

Mas esse assunto não é algo novo. Vivemos algo similar, ou de total igualdade, na idade média, com o pagamento de indulgências. Algo mudou? Os cristãos ainda dão a sua contribuição, muitas vezes exagerada, na certeza que estão garantindo o seu “pedaço de terra” no céu. Mas, se há alguma moeda que possa comprar esse espaço celestial com certeza ela não é feita de metal, mas de boas ações.  

Grandes e luxuosos templos construídos com essas arrecadações colocam em xeque a moral e todo o fervor religioso desses líderes cristãos e suas respectivas instituições. O maior problema, creio, é o destino de todo esse dinheiro. Para onde, ou quem, vai? Pensemos que a contribuição do fiel é necessária e deve ser respeitada.  Assim como em qualquer lugar, ainda existe honestidade nesse meio e a generalização da falta de integridade de todos seria equivocada, bem como acreditar que tudo é revertido em obras de caridade seria ingenuidade. Mas aí vai do senso crítico – e fé – de cada um. 

O valor da sua fé eu não sei dizer, mas que ela vale muito eu tenho certeza. 


terça-feira, 4 de setembro de 2012

A pele que habita não é sua!

Imagem extraída do documentário Earthlings e adaptada


Depois de aparecer na Bulgária exibindo um exuberante casaco de pele, a cantora Lady Gaga reascende a polêmica do uso da pele de animais na moda. Em 2010, a estrela já havia abordado o assunto no programa da apresentadora Ellen DeGeneres: “Eu odeio pele e não as uso.”.

Dois anos depois, durante a passagem da sua turnê pelo país europeu, a cantora tornou-se alvo de críticas de membros da PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), uma das maiores entidade no que diz respeito ao combate de maus tratos contra animais, por causa do uso da peça. Com tom irônico, ela rebateu: “Para aqueles da imprensa que estão escrevendo a respeito da minha pele ser ou não real, por favor, não esqueçam de creditar o designer Hermes. Obrigada!”. Pouco tempo depois, Lady Gaga ainda expôs na sua rede social (LittleMonsters.com)  sua opinião sobre o tema, o que acabou gerando ainda mais polêmica e controvérsia.

Lady Gaga usa pele de animal na Bulgária (13/08)
Artistas como ela, de grande repercussão e formadores de opinião, devem ter cautela com algumas das suas atitudes. Sou totalmente a favor que possamos fazer e/ou falar o que quisermos, desde que haja ética e que isso não fira a integridade moral e física de ninguém. Além disso, nesse caso, os mesmos devem ter consciência que legiões de pessoas são seus fãs e, usualmente, reproduzem suas atitudes. 

Tal burburinho desperta o interesse de falar não exatamente sobre a utilização da pele de animais no mundo fashion, mas das formas de sua obtenção, produção e comercialização nas lojas. Durante minha pesquisa, encontrei, e assisti, evidentemente, o documentário Earthlings (Terráqueos, em inglês). A produção mostra a realidade, de forma nua e crua, das brutalidades as quais os animais são submetidos em benefício do lucro, da ciência e do luxo e vaidade humana. 

Ative-me a “Parte Três: Roupas”, que é o que interessa nessa abordagem, e percebi que o animal começa a morrer em vida. Sua sentença de morte foi decretada no seu primeiro dia de existência e até lá sofrerá muita agonia.  

A captura, na maioria dos casos, é feita com artifícios dolorosos e impiedosos, e a outra parte já nasce em cativeiro. Todos viverão o resto de suas vidas manuseados sem a mínima prudência e acondicionados em lugares ínfimos, sem direito à socialização – ou vida selvagem -, ao exercício dos seus instintos e, principalmente, à liberdade, levando-os a consequências austeras como a automutilação, problemas mentais e até canibalismo. Quando há necessidade de transporte, o sofrimento continua. Amontoados, padecem de desidratação e subnutrição. Muitos desses não aguentam sequer chegar ao abate, momento mais detestável do alcance do sadismo humano. Geralmente, os métodos mais baratos também são os mais cruéis. Muitos são mortos por eletrocussão, outros têm partes vitais cortadas, quando sangram até o último suspiro de vida, e até esfolados quando ainda vivos são.

"Aqui está o resto do seu casaco de pele", campanha da PETA
No vídeo abaixo, você pode ver uma pequena “demonstração”, de apenas um minuto, de barbaridades cometidas contra animais em prol do comércio de peles na China. As cenas fazem parte do documentário citado anteriormente. AVISO: O conteúdo a seguir contém imagens fortes.


Temos tecnologias suficientemente desenvolvidas para produzir tecidos sintéticos, de alta qualidade e aparência idêntica à realidade. Não somos mais homens da caverna que há milhares de anos usavam pele de animais para se aquecer no frio, o que se fazia necessário para sua sobrevivência. Não temos mais esta necessidade, nem precisamos matá-los apenas para ostentar uma bela e cara peça de moda no armário ou desfilar nossa arrogância como animal supremo e dominante. Assim como nós, seres humanos, os animais nasceram com o direito de viver livre de qualquer atrocidade e nós, seres humanos – novamente – com o dever de manter esse direito íntegro. 


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“The Newsroom”, série da HBO, mostra jornalismo audacioso



Já nas primeiras cenas, The Newsroom (A Redação, em inglês) mostra a que veio. Num debate para estudantes de jornalismo, Will McAvoy surpreende a todos ao responder para uma jovem que os EUA não são o melhor país do mundo - fato que os americanos acreditam ser - com inúmeros dados e estatísticas negativas.

A atual superficialidade da imprensa e a falta de comprometimento dos âncoras estadunidenses em demonstrar suas reais opiniões no ar por causa de audiência e receitas publicitárias, são características debatidas e cutucadas na série de Aaron Sorkin, que retrata um jornalismo audacioso.

Trazendo para a realidade do jornalismo brasileiro isso não é muito diferente. Famosos pautam com frequência os noticiários e, indo mais a fundo, podemos citar o trabalho da paraibana Rachel Sheherazade. Enquanto ela, âncora do principal jornal do SBT, espanta muita gente com suas opiniões de extrema sinceridade sobre acontecimentos, nunca vimos William Bonner, competente jornalista e âncora do principal telejornal da Rede Globo e do Brasil, falando nada fora do script. Entra aí a questão da imparcialidade, ou, na maioria dos casos, a existência dela nas emissoras nacionais. Mas isso é questão para outro dia.

Voltando ao assunto, a série que é ambientada na redação do jornal News Night do canal a cabo ACN, ambos fictícios, apresenta fatos jornalísticos reais com personagens de ficção, também. The Newsroom se desenrola com diálogos bem argumentados e ágeis, atributos de Aaron, que foi ganhador do Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado com o filme “A Rede Social”. Falhas da equipe, relacionamentos amorosos e o dilema “audiência versus qualidade” também pontuam a produção.

(Nomes dos personagens da esquerda para direita: Will McAvoy, MacKenzie McHale, Charlie Skinner, Sloan Sabbith, Neal Sampat, Don Keefer, Margaret “Maggie” Jordan e Jim Harper)

O elenco - na mesma ordem da imagem acima - conta com Jeff Daniels, como o temperamental âncora do News Night; Emily Mortimer, como a competente editora executiva do jornal e ex-namorada de Will, o que garante bons momentos na série; Sam Waterston; Olivia Munn; e Dev Patel, o protagonista do filme “Quem Quer Ser Um Milionário?”; além de Thomas Sadoski, Alison Pill e John Gallagher Jr., formando um triângulo amoroso desajeitado.

Veja abaixo três trailers da série:


Aqui no Brasil “The Newsroom”, que já tem segunda temporada confirmada, estreou no dia cinco deste mês, também pela HBO, e é exibida às 21h. Já nos EUA, o nono e penúltimo episódio da primeira temporada da série foi exibido ontem (19). Apesar do atraso, fica aí uma ótima dica para os amantes de séries e jornalismo. Antes tarde do que nunca!

Você pode baixar os episódios legendados de “The Newsroom” clicando aqui.  


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Comportamento: REPUTAÇÃO ONLINE: VOCÊ CUIDA DA SUA?


No final de 2011, a jornalista Rita Lisauskas reclamou publicamente, através da sua página no Facebook, dos atrasos de salários da RedeTV! Na época, Rita era âncora do telejornal “RedeTV! News” e estava insatisfeita com a emissora, devido a demora do pagamento salarial.

 “Queria só entender como tem empresário que consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir, sabendo que há centenas de profissionais sem salário há, no mínimo, dois meses bem na semana do Natal. E o pior: como tem assessor de imprensa (ou seja, coleguinha) que se digna a desmentir o óbvio com a seguinte pérola: ‘É mentira desses funcionários, pois os salários estão em dia.’ Aos colegas que pensaram em me enviar mensagem pedindo para que me cale nem percam seu precioso tempo. Sou profissional, tenho dignidade, mas não tenho estômago”, declarou a jornalista, que foi afastada do cargo logo após o desabafo e demitida pouco tempo depois.

Esse acontecimento é um ótimo exemplo do impacto do que falamos na internet. Geralmente o que postamos ou compartilhamos nas redes sociais fica exposto a todos e torna-se de fácil acesso. Atividades, gostos, fotos, interesses ou opiniões, nos caracterizam, isto é, tudo o que divulgamos sobre nós na rede, cria uma imagem a nosso respeito.
   
Além das funções de conhecer gente nova, reencontrar velhos amigos e iniciar relacionamentos por meio das páginas pessoais, por exemplo, você pode fazer negócios ou conseguir um trabalho. Então, se você não se preocupa com a sua reputação online, é melhor ir repensando desde já o que e como você escreve por aí.
   
Em busca de inovação, empresas e instituições passaram a utilizar a internet como forma de encontro de candidatos. Elas divulgam vagas para empregos nas redes sociais e através delas, analisam o perfil do seu possível empregado, também. Uma pesquisa realizada pela empresa de marketing digital KBSD mostrou que 72% dos recrutadores usam ferramentas de busca online para saber mais sobre candidatos. Além disso, 48% usam informações de sites pessoais para decidir se vão ou não contratar um profissional. O estudo também apontou que as redes sociais são fonte certa de pesquisa para os recrutadores: 63% deles checam as contas do Facebook, Twitter e blogs de potenciais funcionários.

Algumas dicas de como se comportar nas redes sociais são muito bem-vindas, como: evite postar informações muito pessoais, do tipo: “Bebi muito ontem e estou de ressaca”; compartilhe conteúdos interessantes; não faça na vida virtual o que você não faria na vida real; tome muito cuidado com as fotos que você publica, pois elas dizem muito sobre você; tenha cautela ao demonstrar suas emoções. Desabafar na rede é um erro. No geral, seja autêntico, sem pecar no que diz ou expõe.
   
    Lembre-se que o bem mais precioso de um profissional é a sua credibilidade. Você pode levar anos para construí-la e um clique para acabá-la.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Tecnologia: UFPB terá núcleo de Tecnologia Assistiva

No dia 20 desse mês foi inaugurado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, o Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA) na cidade de Campinas, interior de São Paulo. O centro será responsável por articular uma rede de 25 núcleos de Tecnologia Assistiva distribuídos em 18 estados e no Distrito Federal. Estes estarão atrelados às universidades federais e às unidades de pesquisa do ministério.

O centro faz parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite, lançado em Fevereiro pela presidenta Dilma Rousseff, visando a elaboração de pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias voltados à melhoria de vida e acessibilidade de pessoas com deficiência. Eliezer Pacheco, secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social, do MCTI, torce que o centro e os núcleos trabalhem de forma eficaz para a melhoria de vida das pessoas com diferentes deficiências. “Quando falamos de todos os tipos de deficiência, falamos de locomoção, auditiva, visual, tudo aquilo que em última análise cria limitações ao exercício da cidadania”, relata.



A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) será uma das unidades de pesquisa responsáveis pela criação desse tipo de tecnologia. Cada projeto poderá receber entre R$ 100 mil e R$ 500 mil. Para a implantação do centro e dos núcleos foram liberados R$ 3 milhões do Orçamento da União 2012. Os projetos serão desenvolvidos por pessoas que já são do quadro dos núcleos ou recebem bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq) ou da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Tecnologia Assistiva

A Tecnologia Assistiva engloba produtos, recursos, práticas e serviços que facilitam ou ampliam habilidades funcionais de pessoas com deficiência, incapacidades ou com mobilidade reduzida, promovendo, consequentemente, autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social de quem as utiliza.

Além da carência da tecnologia no país, a insuficiência do trabalho governamental na área perpetua o problema. O que se faz não é o bastante para a inclusão total de pessoas com deficiência na sociedade. “Convenhamos que para fazer rebaixamento de calçada e rampas em escadaria não precisa de nenhuma tecnologia, mas a vontade política de fazer”, chama a atenção Eliezer Pacheco. “É necessário que haja uma mudança na cultura dos brasileiros no sentido de entender a democracia como algo muito além do direito de votar e ser votado, mas, por exemplo, tornar acessível todos os espaços a todas as pessoas”.

No mundo, aproximadamente um bilhão de pessoas, ou 15% da população mundial, vivem com alguma forma de deficiência. Aqui no Brasil, de acordo com dados do Censo Populacional do IBGE, de 2010, há 24 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tecnologia: Energia solar


Com grande capacidade de geração energética a partir do Sol, o Brasil se configura como um dos principais países do mundo no ramo. Situado relativamente próximo da linha do Equador, o país não sofre grandes variações do Sol na duração do dia e possui grande incidência de radiação solar na sua superfície, reunindo, assim, importantes “ingredientes” na produção de energias renováveis, como a que vamos descrever mais detalhadamente abaixo.


Energia solar é aquela proveniente do Sol (energias térmica e luminosa) que é captada, transformada e armazenada para utilização do homem. No Sudeste e Sul do país, é mais aproveitada no aquecimento de água, devido às características climáticas. Já no Norte e Nordeste, na geração de energia elétrica.

Embora sua aplicação em massa venha sendo estudada por muitos anos, sua utilização ainda é de alto custo, tornando-se um obstáculo a mais. Isso porque, segundo estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, atualmente o custo da geração de eletricidade a partir da utilização da luz do sol gira em torno de R$ 405/MWh, enquanto a média de preço para a geração de eletricidade por meio de outras fontes de energia foi de R$ 150/MWh, nos últimos leilões do governo.

A notícia animadora é que com a crescente demanda e evolução da tecnologia, essa situação tende a ser revertida nos próximos anos. Os países que mais produzem energia solar são: Japão, Estados Unidos e Alemanha.



Em Março de 2011 foi inaugurada a usina de Tauá, primeira usina comercial de energia solar do Brasil, situada no Ceará. O estado, que está localizado sobre a linha do Equador, possui alto potencial de produção de energia através do Sol. Inclusive, o Estado possui legislação própria regulamentando o tema.
                                                                                                    
A busca pela obtenção de energia por meio do Sol acarreta o surgimento de novas e variadas tecnologias. No mês passado, o avião experimental Solar Impulse viajou de Genebra a Madri e de Madri a Rabat, capital do Marrocos, sem qualquer tipo de combustível, apenas com energia acumulada em painéis solares que revestem suas asas. Nos Estados Unidos, a empresa Exotic Solar investe na criação de um tecido capaz de captar e gerar energia a partir do calor propagado do sol, gerando eletricidade onde quer que você vá.



No Brasil, em 2009, a prefeitura de Curitiba instalou no parque Barigui postes equipados com painéis solares capazes de gerar energia o suficiente para garantir a iluminação durante o período da noite.
A energia solar é uma fonte considerada renovável e limpa, já que não agride o meu ambiente e não se esgota. Considerada uma das soluções para o tão aclamado e necessário crescimento sustentável, espera-se de todas as entidades responsáveis o investimento nesse tipo de tecnologia.


Energia solar na Paraíba

No final do ano passado o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, assinou um protocolo de intenção para a implantação da primeira usina solar do estado. Coremas, no sertão paraibano, foi o município escolhido para locação do empreendimento avaliado em R$ 310 milhões. “No período das obras vamos oferecer 2,5 mil empregos e depois mais 800 vagas para profissionais qualificados pela própria empresa, conforme nós pedimos, será aproveitada a mão de obra local e da região”, disse Edilson Pereira, prefeito da cidade. A empresa Rio Alto Energia, responsável pelo projeto, se comprometeu a iniciar a instalação da usina em 12 meses, tendo um total de 24 meses para colocá-la em funcionamento.

Entramos em contato com a prefeitura de Coremas para obter informações sobre as obras e essa nos informou “não ter mais notícia sobre a Usina”.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tecnologia: Transporte público na Paraíba


O ônibus quebra, você se atrasa, vai em pé, fica no ponto esperando um tempão, demora para chegar em casa, o trânsito fica um caos... Pois é, a vida de quem depende do transporte público coletivo não é fácil. Seja estudante ou trabalhador, a rotina para chegar ao destino desejado é árdua. 

Para se ter uma ideia do volume de usuários do transporte coletivo de João Pessoa, só na cidade são transportados pouco mais de 100 mil passageiros mensalmente, por meio de 445 ônibus divididos em 85 linhas convencionais mais três opcionais, conforme dados da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob).

Para tentar minimizar o problema, o Ministério Público do Estado realizou no dia 29 de Maio uma audiência aberta para ouvir da população o que ela acha da qualidade e da eficácia dos serviços dos transportes coletivos de João Pessoa. As principais reclamações foram a falta de ônibus e veículos superlotados.

“Às vezes, esperamos mais de 45 minutos por um ônibus. Não aguentamos mais”, criticou Luiz Paulo, representante da comunidade Padre Hildon Bandeira, na Torre, bairro de João Pessoa. Já o estudante Enver José Lopes expôs problemas de superlotação. “Em um ônibus com limite de 19 pessoas, eu contei 40 passageiros”, descreveu. 


Devido às facilidades de compra apresentadas pelo mercado e, principalmente, em razão dos problemas já citados, a população procura alternativas para sanar essa situação caótica. Uma delas é a aquisição de veículos automotores.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), a frota de veículos no Estado cresceu 13% em 2011, fechando o ano com o registro de 805.055 veículos. Desse total, por volta de 327 mil estão em João Pessoa e 161 mil em Campina Grande. As duas cidades, inclusive, somaram aumento de 40% na sua frota no último ano.

Além dos problemas que já conhecemos, como poluição, o aumento excessivo no número de carros nos centros urbanos trás uma consequência ainda mais séria: os congestionamentos. O crescimento na quantidade de carros nas ruas não é diretamente proporcional ao desenvolvimento estrutural das cidades. A solução mais sensata para os problemas de trânsito no mundo é o investimento no transporte público eficiente e acessível a todos. 

Os transportes metroferroviários – trens e metrôs –, por exemplo, têm baixo custo de operação e manutenção. Quando comparados aos ônibus, por exemplo, reduz expressivamente o número de acidentes e mortes no trânsito, melhora significativamente os índices de poluição sonora e atmosférica, além de diminuir o tempo de viagem. Apesar da baixa tarifa, apenas 8 mil passageiros usam por dia o sistemas de trens urbanos de João Pessoa.


Embora o sistema de transporte público coletivo da Paraíba apresente grandes melhoras nos últimos anos, em algumas áreas da região metropolitana da capital esse sistema infelizmente ainda anda em “passos de tartaruga”. Os problemas verificados nas duas principais cidades do Estado intensificam-se em municípios como Santa Rita e Bayeux. A precária infraestrutura dos veículos, atrasos constantes e lotação excedente são dificuldades enfrentadas com recorrência pelos usuários do transporte.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tecnologia: UFCG é destaque internacional


UFCG SE CONSAGRA COMO A MELHOR DA AMÉRICA LATINA EM COMPETIÇÃO INTERNACIONAL DE PROGRAMAÇÃO


Recentemente, a UFCG terminou como a melhor equipe latinoamericana na International Collegiate Programming Contest (AMC/ICPC), a maior competição do mundo de programação em nível superior. Os estudantes Felipe Abella Cavalcante, Phyllipe Cesar Ramos e Diogo Silva, orientados por Rohit Gheyi, professor do Departamento de Sistemas e Computação, formavam o time da universidade campinense. 


 Phyllipe Cesar Ramos, Felipe Abella Cavalcante e Diogo Silva (Foto: Divulgação/David Hill)


Depois de uma semana de atividades, A UFCG ficou na 47ª posição no placar geral, dentre as 112 instituições participantes. Foi a primeira vez que uma equipe paraibana fez parte da fase mundial da competição. Estavam na disputa, também, grandes instituições nacionais, como UFPE, ITA, UFPR, UFRJ e USP.

 “Essa competição é muito usada pelas grandes empresas para que futuros empregados sejam selecionados. Dois dos três participantes chegaram a enviar currículos e ser selecionados para estágio no Facebook antes mesmo de se sagrarem vencedores da América Latina.”, destacou Rohit. 

A Copa do Mundo Nerd, como é conhecida, teve início no dia 14 de Maio e foi realizada em Varsóvia, na Polônia. 



CAMPINA GRANDE SE DESTACA COMO UM DOS PRINCIPAIS POLOS TECNOLÓGICOS DO MUNDO






Com cerca de uma centena de empresas de tecnologia da informação (TI), a geração de em torno de mil empregos e o maior número proporcional de PhDs do Brasil – 600 –, Campina Grande é considerada uma das nove maiores cidades tecnológicas do mundo, segundo a revista americana NewsWeek.
Campina Grande é um dos 74 polos tecnológicos do país, mapeados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anproteca), e se posiciona como uma das principais cidades do Brasil e do mundo no que diz respeito ao desenvolvimento de pesquisas e inovações tecnológicas, como nas áreas de TI e algodão colorido. 

O progresso do município no campo científico-tecnológico se deve ao trabalho entre Universidade, empresa e a entidade que faz a ponte entre as duas.  Há 40 anos, quando a Universidade Federal de Campina Grande – antigo campus II da UFPB – recebeu o primeiro computador de grande porte do Nordeste e um dos primeiros do Brasil, começou a delinear-se um novo cenário na área tecnológica da região. Muito se deve ao trabalho de Lynaldo Cavalcante de Albuquerque, então reitor do campus campinense.

O empenho em conjunto dos cursos do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) da UFCG com o Poligene e o Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), elos entre a sala de aula e a empresa, alavancou e firmou o crescimento tecnológico da cidade. Pacotes de incentivos fiscais e o PBTech, consórcio criado para aumentar as exportações do setor de tecnologia do Estado, foram, e são, importantes, também.

Empresas multinacionais, como Northel – companhia canadense da área de telecomunicações –, HP e Motorola, estão se instalando ou firmando parcerias na cidade. Em decorrência da qualidade dos profissionais formados na UFCG, essas multinacionais recrutam estagiários e recém-formados para suas filiais no país. O polo já é responsável por 20% da economia da cidade e projeta um salário médio da população para quase R$ 3 mil, o dobro da região. Nos últimos anos, o setor subiu para 43 países as exportações de software e hardware. 

De “Rainha da Borborema” a “Tech City”, Campina Grande é responsável por levar o nome do Estado para além dos limites do país, sendo motivo de orgulho para todos os paraibanos. A “cidade do maior São João do mundo” vem mostrando que além do forró, a tecnologia também está no DNA campinense.



sábado, 7 de abril de 2012

Tecnologia: As implicações da inovação

Não seria nem um pouco ousado dizer que, hoje em dia, a tecnologia se tornou algo indispensável às nossas vidas. Do acordar ao dormir, ela está presente em vários momentos do cotidiano.

A tecnologia existe desde sempre. Ela não é apenas celulares, computadores ou os aparelhos eletrônicos que vemos a todo o momento. Tecnologia, no geral, seria o encontro entre ciência e engenharia, ferramentas e máquinas com o propósito de resolver problemas, portanto, desde uma colher de madeira à roda e ao fogo, podem ser classificados como tal.

O exemplo de tecnologia de maior impacto na sociedade é a Internet. Com sua ascensão na década de 90 e rápida solidificação, o mundo, no geral, tornou-se mais ágil e eficaz. Podemos nos comunicar com alguém que esteja a milhares de quilômetros de distância, fazemos compras e pagamos contas sem sair de casa, temos acesso às informações em qualquer lugar que estejamos e da forma mais rápida possível.

A mudança nas relações sociais oriunda do uso das novas tecnologias é a maior demonstração da sua força. Com o surgimento de aparelhos como iPads, smartphones, o próprio computador de mesa e iPods, o ser humano mudou seus hábitos e se adaptou aos novos padrões e costumes, passando a depender dessas tecnologias e a substituir as relações pessoais por esses artifícios.

A Paraíba vem ganhando destaque nacionalmente e internacionalmente, por causa do desenvolvimento de novas tecnologias para a TV digital. O Ginga, middleware nacional utilizado pelo Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que foi criado pelo LAVID (Laboratório de Aplicação de Vídeos Digitais), pertencente à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é um desses exemplos.  

O Ginga é uma tecnologia que leva ao cidadão todos os meios para que ele obtenha acesso à informação, educação à distância e serviços sociais apenas usando a TV. Dentre os aplicativos existentes, destaca-se o Libras TV, que faz uma representação do conteúdo do áudio para deficientes auditivos, através de um dicionário de sinais, que poderá beneficiar cerca de cinco milhões de brasileiros com problemas de audição. O modelo se constitui de uma alternativa ao formato adotado hoje pelas TVs, que usam um intérprete para traduzir para a linguagem de libras, em tempo real, as informações que estão sendo divulgadas.

A partir do que foi dito anteriormente sobre as mudanças sociais decorrentes da tecnologia, podemos afirmar que juntamente com facilidades, ela nos trouxe malefícios, também. Esses danos podem ser desde problemas individuais como prejuízos à saúde - estresse, sedentarismo, insônia, etc. - até problemas coletivos como poluição e desemprego, este último iniciado no século XVIII com a Revolução Industrial, onde os avanços tecnológicos, em muitos casos, causaram a exclusão de trabalhadores desse processo.

O mundo não é mais o mesmo após a introdução da tecnologia na indústria e no mercado consumidor. O desenvolvimento de técnicas melhores, mais dinâmicas e produtivas ao longo dos anos, fez com que barreiras e obstáculos na sociedade fossem ultrapassados. Assim sendo, a existência da tecnologia tornou-se primordial e essencial para a continuidade da vida humana. 



 
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