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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Educação que não rima com Brasil

Foto: http://www.flickr.com/photos/dvdgmz/
A situação é a seguinte: Professor de escola pública quer voltar aos seus 18 anos e escolher outra profissão. O motivo todos devem imaginar: entrar numa sala de aula onde nenhum (leia “nenhum” em uníssono) respeito permeia o ambiente de ensino é a queixa nas preces de cada dia de algum professor que não nomeemos com letras, números para sermos mais práticos. No Brasil o governo enxerga mais o professor através de números e estatísticas - que são artificialmente positivas – da educação.

Se a realidade do ensino público é degradante, a do ensino privado certamente também o é. Só que nesse caso, claro que excluindo os que não dispõem mais do que o básico para SOBREVIVER, os cursos de línguas, as viagens e os passeios de cada final de semana dão a borda do recheio nas aulas chatas e tediosas ou nas faltas dos professores e do alunado. 


No país do Jesus Cristo posto caprichosamente nas paredes das repartições públicas, o ensino religioso, disfarçadamente ou não católico, é mais uma barreira a enfrentar na construção da compreensão de uma tolerância e respeito universal para com o semelhante. Já que à medida que você direciona o pensamento teológico em uma única religião e não apresenta outras ,que são tanto quanto sagradas, a intolerância cresce como fera na espreita para o ataque.

O resultado disso é a perda de potenciais mentes das quais poderiam contribuir para o avanço da pátria amada. Educação como base é clichê que deixou de ser ação há muito para ficar cristalizada nos discursos da comunidade acadêmica e políticos.

Foto: Dani Alvarez Cañellas

Que então esperar? Que professores continuem a se frustrar perante a indisciplina abafada pela diretoria da escola? Que o sistema educacional se afunde em vertigem e que o PIB do país aumente mais e mais? Um patrocínio dos banqueiros estrangeiros para as escolas do governo? Aprendamos a ler para ensinar nossos camaradas!



domingo, 19 de agosto de 2012

O canto da Sereia


Certamente a crespidão genuinamente Brasileira de seus cabelos, os traços fortes de seu rosto e a voz que por vezes aproxima-se de ecoadas masculinas, além do exercício de sua fé percorrer os cânticos de Nossa Senhora e as trovoadas de Iansã, Maria Bethânia Viana Telles Veloso é uma figura que desperta o burburinho das mais variadas personalidades.



Em parte pode-se legitimar a sua competência como intérprete da música Brasileira quando nos deparamos com o vasto acervo de prêmios ganhos. Para citarmos, apenas, os mais recentes: Melhor disco (Encanteria). Na categoria canção todas as três ganhadoras (Encanteria, Feita na Bahia e Saudade) figuram em seus discos – 21º Prêmio da Música Brasileira; Melhor canção (Tua) – Grammy Latino; Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro (Lisboa). Maria também já foi tema de congresso (Congresso Brasileiro sobre O Canto e a Arte de Maria Bethânia em 45 Anos de Palco), de Documentários ( Música é Perfume, 2005. Pedrinha de Aruanda, 2007.) e de Poema (Maria Bethânia, Guerreira Guerrilha). Mas certamente essas são apenas expressões da beleza de uma personalidade que é bem recebida pela crítica Internacional e Nacional.


O cerne que mostra-nos o porquê dela ser a segunda cantora Brasileira que mais vendeu discos é vivido quando se assiste uma apresentação sua. É lá que vemos a força de sua voz entoando uma mensagem que passa da crítica social ao bem-juntinho dos casais. E que é recebida com uma verdade de transportar-nos para o drama da composição. Tal como Edith Piaf, Billie Holiday, Nina Simone, entre outras. Bethânia se entrega totalmente ao seu ofício. Em suas próprias palavras, ela empresta a voz, a sua vida às músicas. Talvez seja por isso que vemos a total intimidade que ela tem com o palco, chegando muitas vezes a deitar-se nesse ambiente sagrado, sempre o percorrendo de pés descalços e com pulseiras e colares de ouro.



Seus shows não se resumem apenas à banda, cantora, platéia e alguma decoração clean. Eles tem uma identidade mais trabalhada em torno de um tema específico. No Dentro do Mar tem Rio resultado de dois CDs lançados simultaneamente (Mar de Sophia e Pirata), Bethânia canta a poesia de Sophia de Mello Breyner, que tem como tema principal o mar e suas simbologias. Assim como canta o universo folclórico e afetivo das águas dos rios do interior do Brasil. Maria Bethânia é uma divulgadora inata da cultura brasileira, seja nas cantigas de roda santo-amarenses ou na cadência do samba de Vinícius de Moraes.


Em contrapartida a tanta riqueza e diversidade musical, Maria não cede às pressões da “aldeia global”. São raras às vezes em que aparece na TV e quando aparece é em programas de especificidades, em grande parte na TV por assinatura. Suas recentes aparições foram no programa “Viver com Fé”, no canal fechado GNT e no “Sarau”, Globo News. Assim como não é adepta das redes sociais e muito menos divulga sua música maciçamente nos campos da internet. O que provoca uma crítica negativa ao seu trabalho e a sua pessoa. Mas será que a cantora de Carcará é, portanto hermética? Até que ponto poderíamos chamar de modernidade os campos das curtidas e compartilhamentos no Facebook?

E como bem diz a música “Olho de lince”, quem fala de Bethânia tem é paixão.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Comportamento: Trem com fartura!

O velho trem que transportou tantos homens de mãos calejadas, homens de saúde precária, mas que mesmo assim achavam facilidade em expressar um sorriso. E este mesmo trem que levou sonhos de uma vida, não confortável, mas que consiga ultrapassar os limites de sobrevida, de mulheres macho, agora é ponto de uma outra aglomeração: O projeto São João com Fartura. “Evento especial constituído em um projeto de caráter didático, realizado desde 2006, desenvolvido por alunos do curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas e Rádio e TV da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, sob coordenação do professor Dr.Severino Alves de Lucena Filho, orientador da disciplina Laboratório de Planejamento de Eventos, com o objetivo de arrecadar e distribuir alimentos não perecíveis aos segmentos carentes da sociedade pessoense”. Conforme explicado no blog RelaçõesPúblicas e Publicidade e Propaganda (RPePP). 

O evento consiste numa viagem, de João pessoa com destino à cidade de Cabedelo, mais ou menos uma hora de viagem num trem sem preocupações de chegada. Em cada vagão um trio de forró cantou clássicos como “trem das onze”, “asa branca”, “olha pro céu”. Embalados por uma energia calorosa, da qual se fazia com facilidade a interação das pessoas, o trem viajou pelas margens de uma João Pessoa ignorada por muitos. Das janelas de grades redondas, via-se do trem os casebres e o olhar curioso das crianças que estavam a brincar com piões, pipas ou qualquer que fosse o objeto. Crianças têm disso, precisam de pouco para alimentar a fertilidade de sua imaginação. Também se viu o aglomerado de prédios, fábricas e condomínios fechados. Tudo isso entremeado pela pouca vegetação, fruto de um, como fala Caetano na música Purificar o Subaé, progresso vazio

O Público foi heterogêneo. Crianças pintadas, com fitas coloridas nos cachos caprichados do cuidado materno, idosos de sorriso fácil, adultos embalados pelo sabor da cerveja ou do refrigerante e jovens acompanhando o ritmo festivo dos vagões. Chegada à cidade de destino, o pequeno bloco junino seguiu em direção à Fortaleza de Santa Catarina, uma chuvinha fina acompanhou-nos. O que não foi motivo de intimidação para quem sentia nessa chuva e na música ecoada, o exorcismo das tensões advindas da semana dura de trabalho.

No Forte, o bom e velho espírito cirandeiro tomou conta dos foliões e algumas das pequenas cirandas que se formaram fundiram-se numa única roda a cantar “sou rosa vermelha, ai meu bem querer, beija flor sou tua rosa, hei de amar-te até morrer”. A sanfona deu um breve “até logo” à fortaleza por volta das 17 horas, porém a animação de seus acordes continuou na volta dentro do trem. Curiosamente, o evento transcorreu-se harmonicamente. Sem violência nem algum mal-estar que necessitasse de atendimento médico, mesmo o SAMU estando pronta para o ofício, na construção colonial. Um bem-estar muito provavelmente também foi percebido pelo quantitativo na arrecadação de alimentos, previsto esse ano para as 5 toneladas. A comida arrecadada talvez não desperte a fome por mudança da população beneficiada, mas saciará a fome que muitas vezes passa a sensação de objeto descartado, que a “gente humilde”, de Chico Buarque, experimenta em doses amargas.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Comportamento: Uma segurança mais completa




Eram 22 horas e a pulsação de Ignácio convergia com os milésimos que pareciam correr mais lentamente em função de sua espera. Ele a esperava com uma sede de conhecimento profícuo, e que a força de suas tecladas recusava-se a acreditar que tudo aquilo poderia não passar de uma simples quebra de rotina pachorrenta. 

Verídia adentrara o recinto virtual sagrado começando por tecer os diálogos usuais de cumprimentos e estados de espírito, tentando analisar nos pixels que formavam a grafia algum sinal de quereres que ultrapassassem o comprometimento “online’’. A querença de ignácio fazia-se de mesma natureza. Amantes em busca de um ideal que talvez fuja de suas possibilidades reais. 

Dois países, dois estados, duas cidades, dois bairros, enfim, duas realidades. São desses dois estereótipos a realidade de muitas pessoas que perambulam pelas redes sociais e que acabam por desenvolver uma relação de afeto com um desconhecido ou relativo conhecido, na qual o abraço entre ambos possa não passar de um simples “HUG” digitado nas conversações.

Na chamada “Aldeia Global” , preconizada por McLuhan, o cuidado não só com a segurança no que diz respeito à números bancários, de Cpf, Identidade entre outros é necessário, mas assim como um cuidado com uma segurança que apercebemos de forma tênue quando desenvolvemos diálogos na world wide web: a segurança de sentimentos. Fundamental se você futuramente irá interagir com pessoas diversas e que por ventura conhecem seus ex(amigos, amores) virtuais. Ou seja, não expor algumas de suas pessoalidades é vital para uma melhor segurança [http://cartilha.cert.br/] no ciberespaço.

A questão de como nós podemos estar assegurados num mundo onde aumenta o uso de aplicativos online que expõem a rotina e as afinidades de cada, é um campo que necessita de delicada análise. Agir comedidamente não só na rede mundial mas como na chamada “vida real” é o grande norteador de uma segurança qualitativa.





 
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